Postado em 23/02/2010

Pois onde se acham dois ou três reunidos em meu nome, aí estou no meio deles. Então Pedro, aproximando-se dele, lhe perguntou: Senhor, até quantas vezes pecará meu irmão contra mim, e eu lhe hei de perdoar? Até sete? Respondeu-lhe Jesus: Não te digo que até sete; mas até setenta vezes sete”. [Mateus 18:20-22]. Esta passagem contém mais informações do que habitualmente pensamos existir. Simplesmente lendo, não é possível encontrá-las, é preciso examiná-la dentro do contexto para entender o que Jesus estava dizendo aos apóstolos. Nesta passagem está contido um procedimento criterioso, com regras justas que guiarão todo o processo de exclusão de um membro do ministério. “Mas o Ajudador, o Espírito Santo a quem o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto eu vos tenho dito”. [João 14:26].

É acreditando nesta passagem de João 14:26 de que o espírito santo vem para nos lembrar de tudo o quanto Jesus havia dito, que desenvolvi este estudo. Depois de 2000 mil anos de história da igreja é possível que, em função de sua conturbada história de perseguição e apostasias, muitos ensinamentos do Mestre tenham ficado no esquecimento, porém o espírito santo nunca de esqueceu de nenhuma de suas palavras. A minha preocupação em fazer este estudo é em razão de certos acontecimentos que tenho presenciado no mundo religioso, que do meu ponto de vista estão em desacordo às normas estabelecidas por Jesus. Disciplinas exageradas sem base no amor, exclusões sem o respaldo bíblico, alienações, discriminações e separações entre pessoas importantes na liderança, mostram que certas coisas precisam ser melhoradas. Elaborei este estudo baseado em Mateus 18 com a finalidade de abrir uma nova visão sobre o assunto. Neste estudo procuro resolver temáticas que nunca as vi abordadas dentro do mais nobre princípio de interpretação de um texto bíblico, a hermenêutica. Em Mateus 18, existe mais informações do que temos conhecido e praticado, portanto, não podemos agir baseados somente no conhecimento comum (adquirido de nossa habitualidade religiosa), isto é um erro. O texto trata do poder na igreja, dos escândalos provocados por pessoas que estão em posição de mando, as terríveis conseqüências para aquele que desobedece às regras de Jesus e principalmente de como deve ser conduzido um caso de disciplina e exclusão de um membro do ministério.

Perdão de presbítero para com presbítero

Então Pedro, aproximando-se dele, lhe perguntou: Senhor, até quantas vezes pecará meu irmão contra mim, e eu lhe hei de perdoar? Até sete?” [Mateus 18:21].

Muito se tem pregado sobre o assunto, mas todas as mensagens ainda não chegaram ao âmago da questão, e o motivo está no isolamento do versículo de seu contexto. Ao associarmos este versículo com o tema percebemos seu sentido real. O entendimento geral sobre este texto é o de que devemos perdoar sempre a um irmão, não importando quantas vezes ao dia ele nos ofenda; isto é válido, mas é pouco perto do que a passagem representa. Se pensarmos na aplicação desta passagem baseada apenas no conhecimento comum, nunca chegará o momento em que será necessário perdoar 490 vezes. Como Jesus não passou conselhos inúteis, irracionais e impraticáveis, temos que compreender o sentido da passagem, para descobrirmos quando devemos praticar o ensinamento de 490 vezes.

O perdão é algo imensurável, impossível de ser medido, não é lógico usar números para expressá-lo. Porém, a atitude de perdoar pode ser contada. Você pode ter a atitude de perdoar e contar quantas vezes fez isto, mas não pode medir a intensidade do perdão. Jesus pediu que praticássemos algo que pudesse ser contado. E somente o que pode ser contado neste caso é quantas vezes nos dispomos a perdoar. É a iniciativa de perdoar que pode ser contada. Esta iniciativa você pode tomar várias vezes ao dia e contar quantas vezes aconteceu, mas não conseguirá saber a intensidade que seu perdão alcançou. Para seguirmos este ensinamento de Jesus, temos que praticar algo que seja possível ser contado.

Devemos observar, também, que a pergunta de Pedro surgiu da preocupação que tomara conta de seu coração, quando Jesus dissera que uma pessoa (do ministério) poderia ser desligada da igreja se tivesse pecado contra um irmão, fosse repreendido por quem recebeu a ofensa, pelo corpo de testemunhas, finalmente pela igreja, se não arrependesse. Importante é saber quem era Pedro neste contexto. Ele era o líder da igreja, a quem Jesus havia dado a chave (autoridade) do reino dos céus para que ele tivesse poder para ligar e desligar pessoas na igreja. É óbvio que ele deveria estar preocupado com a questão. Será que hoje as pessoas que cuidam do que é de Deus estão preocupados com a exclusão de um irmão da igreja, para que ela não aconteça de forma injusta? Se voltarmos ainda mais no texto, iremos encontrar um outro valor de perdão, porque iremos encontrar as raízes da ofensa, que é o desejo de acumular poder.

Os desentendimentos na direção da igreja

A palestra de Jesus, que deu origem à pergunta de Pedro, tem início no versículo 01. E o que Ele procura esclarecer, em primeiro momento, é como deve funcionar o poder na igreja. “Naquela mesma hora chegaram-se a Jesus os discípulos e perguntaram: Quem é o maior no reino dos céus?” [Mateus 18:1]. Os discípulos queriam ser uns mais poderosos do que os outros. Todavia, Jesus aconselha que o grande deve ser como uma criança, um pequeno. Esta situação que se passou com os discípulos contemporâneos de Jesus, foi registrada para ilustrar o que ocorreria em todos os tempos da igreja. Aqui está a raiz de muitos males e desavenças na Igreja de Deus de nossos dias: a disputa pelo poder.

Os escândalos provocados pelos dirigentes da obra

A terrível conseqüência desta disputa pelo poder, cargos e questões administrativas na igreja é o escândalo. Um escândalo em letras maiúsculas, porque envolve pessoas de grande envergadura na obra. Com isto, irmãos enfraquecem na fé, se afastam da igreja, ficam propícios ao pecado, são tomados de pensamentos diferentes, criam partidarismos, fazem preferências, bajulam e dividem o corpo. Em função disso, muitas pessoas perdem a salvação. A advertência de Jesus aos que querem ser os “grandes” na igreja (presidente, vice-presidente, tesoureiro, etc.), pastor que quer ter o domínio sobre outro pastor, é muito forte: “Mas qualquer que fizer tropeçar um destes pequeninos que crêem em mim, melhor lhe fora que se lhe pendurasse ao pescoço uma pedra de moinho, e se submergisse na profundeza do mar.” “Ai do mundo, por causa dos tropeços! Pois é inevitável que venham; mas ai do homem por quem o tropeço vier!” [Mateus 18:6 e7]. O conselho de Jesus é: se alguma coisa na vida de um “grande” (administrador) o faz tropeçar, e, principalmente, se faz cair aquele “pequenino” que Ele escolheu, será melhor abdicar deste privilégio. É melhor cortar um de seus membros, mãos, pés e olhos, etc. Óbvio que este corte é espiritual! O que Ele pediu que cortasse são as coisas que se faz com estes membros. Neste sentido, se é buscada uma posição de administrador, mas atrapalha o bom andamento da obra de Deus, será melhor deixar esta posição do que causar tropeços às ovelhas do Senhor. Bom é estar no reino de Deus como servo do que ser “grande” e por fim lançado fora. (Mateus 18:8-11).

O status social na igreja – os maiores e os pequeninos

Nós vemos a presença de dois atores centrais neste texto: “o maior no reino dos céus” e os “pequeninos”. É importante uma análise para sabermos quem são eles. Na igreja há uma divisão muito visível entre seus integrantes, que é: ministério e comunidade. O ministério está na posição “maior” e comunidade na posição “menor”. Porém, Jesus disse que quem quiser ser o “maior” que fosse o servo (Mateus 20:26,27). Ele mesmo não considerou ninguém como grande, nós é que classificamos assim, o status social na igreja. Quando alguns irmãos, na posição de ministros, deixam de servir e querem ser servidos, ou seja, serem os maiorais, como certos discípulos de Jesus, os outros sentem ciúmes e invejas (Mateus 20:24); o resultado é contenda e disputa, e muita vergonha para o evangelho. Escândalos que se tornam tropeços para os humildes irmãos, as ovelhas do Senhor, os “pequeninos”, como Ele mesmo diz. Veja o conselho do Senhor: “Vede não desprezeis nenhum destes pequeninos; pois eu vos digo que os seus anjos nos céus sempre vêem a face de meu Pai, que estás nos céus”. (Mateus 18:10).

É necessária muita prudência quando o assunto é poder. Não podemos dar motivos de tropeços aos irmãos. Na parábola da ovelha extraviada, nós vemos que uma alma desviada dos caminhos do Senhor por escândalos oriundos de disputas (administrativas) pelo poder tem tanto valor quanto às demais juntas, e lhe é dispensado um tratamento sublime por parte de Deus. (Mateus 18:12-14).

A ofensa pessoal entre dirigentes da obra: Como deve ser resolvida?

Todo o esforço deve ser feito para proteger o rebanho. Assim, se um irmão, que pertence ao ministério ofender o outro por causa de algumas questões relativas à administração da igreja, isto não pode em hipótese alguma atingir os “pequenos” dentro da igreja. Duas são as barreiras que devem proteger o avanço das conseqüências de uma contenda administrativa para os membros da comunidade. A primeira é o diálogo entre as duas pessoas envolvidas: “Ora, se teu irmão pecar, vai e repreende-o entre ti e ele só; se te ouvir, terás ganho teu irmão”. [Mateus 18:15]. A segunda é o diálogo com a presença de duas ou três testemunhas: “mas se não te ouvir, leva ainda contigo um ou dois, para que pela boca de duas ou três testemunhas toda palavra seja confirmada”. Perceba que Jesus pediu que a parte ofendida convide apenas mais uma pessoa, quando no muito dois, para testemunharem o diálogo. Por quê? Porque “não é vontade” do “Pai que está nos céus, que venha a perecer um só destes pequeninos”. (Mateus 18:14) Devem ser contidas estas desavenças num número restrito de pessoas, e jamais permitir que apenas um só destes “pequeninos” venha perecer por causa de contendas pessoais de pastores.

É importante fazer um esclarecimento. Em todos os estudos que tenho visto, a passagem de Mateus 18:15-17 tem sido aplicada sem levar em conta o texto anterior, isto faz com que ela fique descolada do contexto. É como se um novo assunto começasse nestes versículos. E não pode ser assim, porque o perdão tratado nestes versículos é um sub tema de um tema mais amplo, que envolve todo o capítulo, o conflito gerado pela disputa de poder na igreja. Para esclarecer, vamos entender a aplicação da palavra “ora” que introduz o tema do perdão. Esta palavra é uma conjunção. “Conjunção é uma palavra invariável que liga duas orações”, portanto, o texto que segue depois desta palavra está ligado ao texto anterior desta palavra. Sendo assim, temos que contextualizar esta passagem e entendê-la em função dos demais assuntos envolvidos.

A igreja é a primeira autoridade na exclusão de um membro

Rápida, oculta e pessoal, tem sido as decisões para se desligar um membro da igreja, principalmente se ele pertence ao ministério. Pelo menos, é o que percebo. * Mas o processo mostrado por Jesus nestes versículos contém pelo menos três etapas que devem ser respeitadas antes de dar início ao processo de exclusão. Primeira é uma conversa em particular para estancar a intriga sem prejuízo ao corpo; segunda, com a presença de poucas testemunhas para não alarmar a igreja; terceira, em caso de extrema recusa deste irmão em ouvir alguns membros do ministério (“duas ou três testemunhas”), será revelado o problema para toda a igreja, então, só depois d’ele não ouvir a igreja, será executado o seu desligamento do corpo. (Mateus 18:18). * Quando falo assim, quero dizer não guiado pelos procedimentos corretos mostrados pela Palavra de Deus. Mesmo que a disciplina ou a exclusão seja anunciada à igreja, não significa que não foi oculta. Falo de rápida, oculta e pessoal todo o procedimento.

Para evitar erros e não cometer injustiça, existem três filtros que irão ajudar no processo de exclusão: 1) diálogo pessoal; 2) com a presença de duas testemunhas; 3) com o conhecimento da igreja. Só depois de passado por estes três filtros é que um membro pode ser considerado como “gentio e publicano”. Somente depois da recusa de ouvir a igreja, serão tomadas as medidas necessárias para o desligamento. Portanto, a igreja é a primeira autoridade no processo de exclusão de um membro. É difícil errar quando toda a igreja está envolvida neste processo. Mas quando esta exclusão é feita por apenas uma pessoa que “está” no poder, a possibilidade de erro é muito grande; principalmente porque a exclusão pode ser feita tendo como pano de fundo a própria contenda, e, portanto, parcial. Ex: um pastor desentende-se com outro, e um por estar numa posição mais privilegiada exclui o outro, sem conhecimento da igreja dos detalhes que levaram a esta exclusão.

Dividimos o processo em duas fases. A primeira fase, que compreende estes três filtros (três etapas) discutidos acima, vai do diálogo pessoal até o momento em que a igreja deve aconselhá-lo, é a fase de tentativa de recuperação e não de exclusão. A segunda fase se inicia quando a igreja o entrega para ser considerado como gentio e publicano. Precisa ser deliberado pela igreja e não por uma só pessoa o processo de exclusão. Contudo, depois disso, ainda são necessários mais alguns cuidados; pois, a igreja não é a autoridade executante, ela apenas autoriza o início do processo, a decisão final caberá a uma comissão formada por pessoas realmente outorgadas para este tipo de tarefa, é quando o ministério geral será acionado para resolver a questão. O ministério não pode agir às escuras, sem o conhecimento da igreja, é necessário que a igreja dê a palavra final na etapa que procura recuperar o membro e a palavra inicial do processo de exclusão. Esta fase final do processo de recuperação do membro se converte na etapa inicial no processo de exclusão, assim, que a igreja é a primeira autoridade na exclusão de um membro, mas não a autoridade final no processo de exclusão.

A comissão que exclui um presbítero

Ainda vos digo mais: Se dois de vós na terra concordarem acerca de qualquer coisa que pedirem, isso lhes será feito por meu Pai, que está nos céus. Pois onde se acham dois ou três reunidos em meu nome, aí estou no meio deles”. [Mateus 18:19, 20]. Muito se tem pregado sobre o versículo 20, como se ele falasse de uma reunião para um culto de louvor a Deus, mas não é isto que está escrito. Estes dois ou três reunidos no nome do Senhor, são pessoas presentes num conselho para decidir uma questão ligada a exclusão de um membro do ministério. Portanto, esta passagem deixa claro que: nunca um único pastor tem poder para desligar alguém da igreja. A decisão só é aceita por Deus, se dois membros do ministério (“Se dois de vós”) concordarem e pedirem para Deus executar a exclusão, então “isso será feito por meu Pai”, disse Jesus.

Pensemos o seguinte: Há uma reunião de três ministros para tratar da exclusão de outro ministro. Dois concordam e outro não. O que isto significa? Que a decisão da maioria é a correta? Nem sempre é assim. Tudo deve ser decidido pela verdade dos fatos. Se um deles não concorda é porque alguma coisa ele conhece que os demais não sabem, e isto tem que ficar esclarecido para então executar a exclusão. Você gostaria de ser julgado por causa da injustiça que cometeste contra uma pessoa pelo simples fato de não ter tido a coragem de investigar o assunto. Se não há coragem para investigar o caso de uma pessoa, também não pode haver coragem para excluí-la da igreja baseado em meias informações. Na exclusão de uma pessoa, não pode haver possibilidades de erros. O espírito santo não erra, e quando está em nós as decisões tomadas são corretas. É importante, ainda, que esta reunião seja feita em nome de Jesus, (“em meu nome”), ou seja, na sua autoridade, para que Ele esteja presente confirmando a decisão e repasse este pedido a Deus, caso contrário, nada vai acontecer. Obs.: Ouvir falar que uma certa reunião não foi começada em nome de Jesus e terminou com uma boa noite, em pleno dia do Senhor. E parece haver provas sobre isto! Jesus estava presente ali, se não foi invocada a sua autoridade? Será que estas decisões serão confirmadas por Deus? Ou só trarão distúrbios na igreja?

O cuidado para evitar o erro e a injustiça na exclusão de um presbítero

Precauções devem ser tomadas para evitar erros neste processo. As instruções de Jesus eram tão importantes e difíceis de se colocar em prática — porque não é fácil tomar a decisão de excluir uma pessoa da igreja — que Pedro, escolhido para “liderar” a igreja (Mateus 16:19; João 21:15-17), aproxima-se de Jesus e o questiona particularmente: “Senhor, até quantas vezes pecará meu irmão contra mim, e eu lhe hei de perdoar? Até sete?” [Mateus 18:21]. Aqui Pedro demonstrou o profundo carinho e amor que devemos ter por uma alma. Nos primeiros sintomas de pecado já é momento para expulsá-la da igreja? Não! Não é por sintomas que tomamos decisão de excluir e disciplinar um membro do corpo de Cristo; somente depois de uma minuciosa investigação, e depois de todas as chances dadas para que ela se arrependa ou explique os fatos, é que podemos tomar uma decisão de tal envergadura. Neste sentido é possível se cumprir os setenta vezes sete que falou Jesus.

Jesus não nos deu, como já disse antes, ensinamentos irracionais e impraticáveis. Todos eles são coerentes e existe um momento em que cada ensinamento do Mestre deve ser utilizado. O problema é que nós, às vezes, não identificamos os momentos corretos em que devem ser aplicados. Setenta vezes sete não é somente a intensidade do perdão, como se tem ensinado pelos religiosos em geral; hermenêutica e exegeticamente, é uma REGRA estabelecida por Jesus para guiar o processo de exclusão de um membro do ministério. Todo o capítulo 18 de Mateus é um assunto: o desentendimento (por questões de poder) de ministros da igreja e os métodos que devem ser aplicados para a exclusão daquele que recusar a reconciliação. Todos os demais assuntos, como: o se tornar uma criança, os tropeços, o arrancar dos membros do corpo (olhos, mãos, etc.), a parábola da ovelha perdida, o perdão, a reunião em nome de Jesus e a parábola do credor incompassivo, são sub temas do assunto principal e devem ser entendidos em conexão com o tema central e também em conexão uns com os outros. Nada pode ser isolado e dado uma interpretação particular. Deve ser notado que não estou falando de pecados como adultério; nos casos de pecados desta ordem, a disciplina é automática, e um pastor tem toda a autoridade para aplicar a disciplina, basta apenas ser confirmado o caso, e que não seja contra outro pastor. Mas em questões pessoais, sempre tem que ser muito bem investigado o caso de exclusão de um pastor.

Pensemos o seguinte: um pastor ou até mesmo um grupo resumido de pastores expulsam um determinado pastor. O pastor excluído, por sua vez, quer dar explicações do acontecido porque entende não ser justa a decisão. No entanto, o pastor ou o grupo que o excluiu não aceita conversar sobre o assunto. O que podemos deduzir? Que o pastor que executou a exclusão esconde alguma coisa; é óbvio! Em Mateus 18, digo, se trata de um pecado mais sutil, que está dentro do coração das pessoas que administram a obra de Deus; são pequenos desentendimentos que aos poucos vão afetando o progresso da obra. São questões, às vezes, puramente de cunho pessoal, que estão relacionadas à forma como a obra deve ser governada. São pecados gerados pelo desejo de ser o principal e único administrador da igreja, para poder dar a direção pessoal à obra do Senhor. São estas questões as geradoras da ofensa pessoal, o pecado contra um irmão, não o pecado letal contra si mesmo. É a isto que estou me referindo. É a isto que Mateus 18 se refere. 

Vejamos bem a diferença. Uma coisa é um pecado de adultério, este é fácil vir à tona; outra coisa é uma ofensa pessoal (“pecado”) por causa do poder, por questões administrativas, esta se esconde atrás de toda uma tecnocracia de difícil entendimento aos mais simples; um diz uma coisa outro diz outra, somente uma sindicância pode esclarecer os fatos. É neste contexto que se aplica o ensinamento (REGRA) de Jesus de setenta vezes sete. Esta, como já disse, é uma REGRA que pautará a sindicância com objetivo de apurar todos os fatos. A VERDADE DEVE FICAR BEM PATENTE, para então excluir um membro do ministério, caso não se arrependa de uma ofensa pessoal. Esta sindicância deve ser feita por uma comissão de outros pastores que irão investigar minuciosamente o caso, depois se reunirá na autoridade de Jesus, decidirá a questão e, então, pedirão a Deus que faça o desmembramento do ministro revoltoso. Setenta vezes sete é muito mais uma regra para não cometermos injustiça na exclusão de um membro do que uma medida que tenta medir o imensurável, o perdão.

Para compreendermos melhor, imaginemos um caso em que dois pastores se acusam mutuamente. É difícil saber com quem está a verdade apenas com a palavra de cada um, não é mesmo? Pois, os dois são ministros de Deus. Ou você, de antemão, daria razão ao mais importante, correndo o risco de cometer injustiça? Porém, quando se decide investigar o caso, fazendo uma minuciosa pesquisa, na qual será usado o recurso de quatrocentas e noventa perguntas para as mais diversas pessoas, com certeza, se chegará a um veredicto (às provas). As 490 perguntas significam dar 490 chances de uma pessoa ser livrada da morte. É um perdão 70 X 7. Pode ser que no questionamento de número 470, seja encontrada a explicação que livrará da condenação a alma inocente. Você teria coragem de expulsá-la da igreja? É óbvio que não. A não ser que esta pessoa seja um empecilho no seu caminho. Se você não quer errar, quando se envolver num caso de exclusão ou disciplina de um pastor, não aceite sem que tudo fique realmente esclarecido em sua mente. Investigue o fato. Faça 490 perguntas, isto é; perdoe 490 vezes, esta é a aplicação dos 70 x 7. Você chegará à verdade desta forma. Assim se cumpre o conselho de Jesus de 70 X 7. E você, alguma vez, deu 7 chances a uma pessoa, pelo menos como queria Pedro? Precisamos irmãos, diante de certas questões que envolvem as almas do Senhor, investigarmos criteriosamente o caso, nos enchendo de misericórdia para com elas para não cairmos na prática da injustiça.

A parábola do credor incompassivo

Esta parábola vem ilustrar a conseqüência que sobrevirá àquele ministro (servo do Senhor) que não perdoar a outro ministro de Deus (o conservo). “Assim vos fará meu Pai celestial, se de coração não perdoardes, cada um a seu irmão”. [Mateus 18:35]. Ela se resume, basicamente, na história de um rei que pediu conta a seus servos. Um deles tendo uma enorme dívida, não podia pagar. Foi ordenado então, que se vendesse tudo que tinha para saudar a dívida. Mas, ele suplicando ao rei, pediu misericórdia dizendo que tudo seria pago, porém, o rei não só teve misericórdia como também lhe perdoou a enorme dívida. Contudo, este servo era malvado e saiu para cobrar uma pequena dívida de seu conservo. O seu companheiro fez a mesma súplica, porém o servo malvado não lhe perdoou e foi encerrá-lo na prisão. Isto entristeceu os demais conservos que foram contar tudo ao rei, que acabou por encerrar-lhe na prisão até que se pagasse a enorme dívida que tinha para com o rei. (Mateus 18:23-35). Assim é como acontece. Todos os homens que hoje são presbíteros, ministros de Deus, tinham uma enorme dívida para com o Senhor. Os seus antigos pecados são a dívida que eles não tinham como pagar. Deus lhes perdoou. Contudo, alguns ainda são servos malvados, isto é, ainda não se arrependeram das más qualidades, não se transformaram em crianças, e ficam sufocando seus companheiros de ministério, por causa de coisinhas irrisórias. Às vezes, brigando por coisas que não lhes pertencem, pois são coisas de Deus. E a tônica de suas vidas é prender e pressionar seus conservos, dizendo: “paga o que me deves”, isto é, se humilha perante mim, se não vou tirar tudo o que você tem. Estes servos malvados gostam de colocar os seus conservos numa prisão; isto é, são pessoas que se aproveitam da menor dívida que outro tenha com ele para o pressionar, o chantagear e colocá-lo em circunstâncias que livre seu caminho, ou melhor, não atrapalhe seus propósitos.

Porém, ainda bem que existe um Deus (o rei) que atenta para as orações dos amigos do conservo que está sendo massacrado. Outros pastores realmente sinceros ao perceberem a tirania do pastor malvado dobram seus joelhos e suplicam a Deus que faça justiça. Então, Deus irá colocar este malvado servo nas mãos dos verdugos (homens que afligem maus-tratos) os quais irão atribulá-lo, causando-lhe grande aflição até que ele confesse e se arrependa dos mínimos detalhes de sua tirania; não se verá livre até que pague “tudo” o que deve, até que se converta realmente a Deus, como uma criança.

Resumo geral e conclusões

Este estudo vem esclarecer algumas passagens que são interpretadas fora de seu contexto. Não que não seja válido o que se conhece sobre o assunto. É bom crer que quando nos reunimos em dois ou três para adorar ao Senhor, Ele estará no meio de nós, e, também, que devemos perdoar intensamente a um irmão. Contudo, este texto representa muito mais do que isto. Ele revela procedimentos que devem pautar os casos de ofensas que acontecem no âmbito do poder. E estes procedimentos parecem estar esquecidos, principalmente por aqueles que pretendem ter o domínio sobre os demais irmãos. Todavia, o espírito santo veio para nos lembrar de todas as coisas que Jesus disse e nos guiar a toda a verdade.

É bom ser poderoso! Mas, muito melhor é quando um poderoso fala com os membros de sua comunidade como se fosse uma criança. E, é isto que Jesus pediu daqueles que querem ser líderes, e se não fosse por este caminho (humildade) de modo algum se tornariam líderes do povo. (Mateus 18:2-4). Brigas de crianças não prejudicam ninguém, brigam mas no mesmo instante estão em paz. Mas aqueles maiorais que brigam pelo poder, não esquecem as diferenças que se arrastam por anos, causando grande tumulto na igreja; os escândalos, todavia, melhor lhes seria se amarrassem uma pedra ao pescoço e se atirassem às profundezas do mar, do que machucar um dos pequeninos do Senhor. Se estes homens não se converterem e afetarem a igreja com suas soberbas, orgulhos e contendas, serão excluídos da comunhão com a igreja. Porém, é necessário que esta exclusão seja feita baseada em todos os critérios que Jesus ensinou à sua igreja. 

Este processo todo está dividido em duas fases: a tentativa de reconciliação e o processo de exclusão. A primeira, que se inicia com a identificação de uma ofensa pessoal, tentará resgatar o membro revoltoso; a segunda, que se inicia com a recusa de mudança de posição, irá cuidar da exclusão. Na primeira, três etapas precisam acontecer: 1) a discussão para se resolver o assunto deve ser feita em particular, para não afetar a igreja; 2) com a presença de mais uma testemunha, quando no muito duas, com o mesmo objetivo de não afetar a igreja com os escândalos que advém deste tipo de contenda; 3) com conhecimento da igreja, que depois de todas as tentativas, autorizará a sua exclusão. Na segunda, alguns procedimentos devem ser respeitados: 1) é preciso que a igreja tenha consentido com a exclusão; 2) deve ser feita por uma comissão preparada para o fim; 3) devem convocar uma ou mais reuniões para tratarem do assunto; 4) devem estar unânimes na decisão; 5) devem pedir a Deus que execute a exclusão; 6) devem estar reunidos na autoridade de Jesus; 7) devem fazer uma minuciosa investigação do assunto levantando todas as informações possíveis, pois é somente com base em informações precisas que um julgamento pode ser justo. Nada de parcialidade, de conchavos e interesses individuais. Nada de julgar pela vista dos olhos e pelo o que ouviu falar. (Isaías 11: 3-5).

Este capítulo se encerra com a parábola do credor incompassivo, que ilustra as conseqüências para aquele ministro de Deus que não perdoar as pequenas ofensas de seus companheiros de trabalho. Outros ministros irão dizer tudo a Deus pedindo justiça, que o castigará até que se arrependa de todas as suas maldades.

O poder na igreja

Para concluir, quero apenas introduzir um assunto: o poder na igreja; que ainda pretendo elaborar um estudo a fim de saber como é entendido biblicamente o poder na igreja e como ele deve funcionar. Os comentários que seguem são primários, porque serão usados para concluir o assunto acima, mas serão fortes argumentos para entendermos o porquê um pastor não pode tomar decisões punitivas em relação a outro pastor, baseadas somente em seu poder pessoal e o porquê deve haver uma comissão de pastores que analisará cuidadosamente os fatos. Este estudo nos leva a certas conclusões. Deus não estabeleceu uma hierarquia na igreja. Se fosse assim, não precisaria que dois ou três ministros concordassem sobre o desligamento de um membro do ministério, pois quem estivesse no topo da hierarquia teria autoridade suficiente para desligar quem ele quisesse, sem precisar da aprovação de outro ministro. Ainda, se houvesse mesmo uma hierarquia, onde um bispo que estivesse no topo tem uma autoridade tal que poderia desligar a bel-prazer outros bispos, nós não seríamos a igreja, porque a autoridade dos bispos que se sobrepuseram a outros bispos nos primeiros séculos da igreja, dando origem ao catolicismo, teria desligado os bispos que deram continuidade à igreja, que hoje a consideramos verdadeira.

Importante: Jesus nos ensinou a não imitarmos o sistema de governo pagão: “Sabeis que os governadores dos gentios os dominam, e os seus grandes exercem autoridades sobre eles. Não será assim entre vós; antes, qualquer que entre vós quiser tornar-se grande, será este que vos sirva; e qualquer que entre vós quiser ser o primeiro, será vosso servo; assim como o Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir”. O sistema hierárquico, em que um bispo é maior do que o outro bispo, não é aprovado por Deus. A hierarquia existe e é legal (I Cor. 11:3), porém, não para administrar as coisas sagradas da igreja, ou melhor, entre os homens que são iguais, mas para as coisas materiais e sociais. Quando os dois discípulos de Jesus queriam ser maiores do que os outros dez, e estar um à direita e outro à esquerda do Senhor, o Mestre refutou suas intenções veementemente dizendo que nem mesmo Ele tinha poder para colocá-los numa posição superior aos demais, “não me pertence concedê-lo” [Mateus 20:23]. A verdadeira hierarquia na igreja, como costumo dizer, é aquela hierarquia que cresce para baixo, no sentido oposto das hierarquias humanas, pois na igreja o verdadeiro e o maior ministro de Deus é aquele que presta a maior quantidade possível de serviços aos membros menos importantes, não aquele que acumula a maior quantidade possível de cargos, funções e posições elevadas. Posições que Jesus não criou, mas que os homens criaram.

O apóstolo Pedro admoestou outros presbíteros na condição de presbítero com eles e colocou somente Jesus como o Sumo Pastor, (I Pedro 5:1-4): “Apascentai o rebanho de Deus, que está entre vós não por força, mas espontaneamente segundo a vontade de Deus; nem por torpe ganância, mas de boa vontade; nem como dominadores sobre os que vos foram confiados, mas servindo de exemplo ao rebanho”. (I Pedro 5:2,3). Não há a menor chance de entender que um ministro pode ser considerado superior aos demais. Nem mesmo Jesus tinha poder para criar um cargo superior ao de apóstolo (Mateus 20:23). Ele mesmo não usurpou uma posição acima dos pastores, foi Deus que o constituiu acima de seus companheiros (Hebreus 1:4,9). Um cargo criado pela igreja primitiva foi o diaconato (Atos 6:1-6), porém este cargo está abaixo do poder dos ministros da palavra. Moisés também criou cargos, mas não superior ao cargo que ocupava, todos os cargos que criou foram abaixo da posição que Deus o colocou. E isto é muito importante: ele não acumulou poder, mas distribuiu poder. Entenda que não é possível criar um cargo acima do poder em que a pessoa se encontra, mas somente abaixo. Se pudéssemos criar cargos que nos coloca numa posição superior; um dia os homens iriam criar um cargo de Deus. Todas as autoridades superiores são constituídas por Deus (Romanos 13:1), nenhum homem pode criá-las.

Jesus é o Sumo Pastor, colocado por Deus na posição que ocupavam os profetas do Antigo Testamento (Hebreus 1:1,2), aquele ministério dos profetas deu lugar ao d’Ele (Lucas 16:16) e a igreja estaria a partir de João sob o controle de Cristo: “Aquele que tem a noiva é o noivo; mas o amigo do noivo, que está presente e o ouve, regozija-se muito com a voz do noivo. Assim, pois, este meu gozo está completo. É necessário que ele cresça e que eu diminua. Aquele que vem de cima é sobre todos; aquele que vem da terra é da terra, e fala da terra. Aquele que vem do céu é sobre todos.” [João 3:29-31]. 

Jesus criou apenas um cargo, ou posição, que diferencia o status do poder na igreja, este é o de Apóstolo (Lucas 6:13). Perceba que Jesus criou um cargo inferior ao d’Ele e ainda disse: “Não é o discípulo mais do que o seu mestre, nem o servo mais do que o seu senhor. Basta ao discípulo ser como seu mestre, e ao servo como seu senhor” [Mateus 10: 24,25]. Foi Jesus quem reestruturou o tabernáculo de Davi (Atos 15:16), e, nesta oportunidade não formou uma hierarquia, o máximo que fez em questão de “poder” foi criar um único cargo funcional na igreja. Ele não tinha poder para criar um cargo superior ao de apóstolo, como dito antes. Assim, se em Jesus não havia poder tal tarefa, porque haveria nos homens? Não é possível que homens criem um título superior ao de apóstolo, ou seja, apóstolo de apóstolos. E, se não há força num ministro para criar cargos superiores, porque nenhum ministro foi chamado para reestruturar a igreja, por mais santo que seja, mas é chamado apenas para cuidar dela; então, também, não há força num ministro para, a seu bel-prazer, sobrepor, disciplinar ou excluir outro ministro de Deus de sua função, ou posição que o próprio Deus o colocou. Correto?

Uma coisa é certa. Ovelhas não enganam pastor, mas “pastor” engana ovelhas. Portanto, ovelhas estejam atentas à voz do bom pastor. Ele não salta por cima de outros pastores, mas entra pela mesma porta das ovelhas. (João 10:1-18) A mesma e humilde porta que os membros entram. Outra coisa é certa. Entre a verdade e a autoridade, eu escolho a verdade. E você? Ficará, por acaso, com medo do falso pastor, aquele que gosta de ter a primazia, ou seja, estar no topo da hierarquia, que sufoca seus companheiros de ministério e não os recebe (III João 9), nem os perdoa. Que ameaça as ovelhas e não permite que recebamos os irmãos. (III João 10). Qual sua escolha: a verdade ou a autoridade? Qual sua escolha a maioria com a mentira, ou a minoria com a verdade?

Veja como funciona a supremacia despótica e tirana dos homens, neste trecho do livro O Último Degrau da Liderança, página 116-118 de C. Gene Wilkes, com destaques nossos: “Os discípulos já conheciam esse tipo de liderança. Eles o observavam todo os dias nos seus governantes, os romanos. Esse estilo significa simplesmente que ‘o poder faz o direito’ — quem tem o exército maior, comanda o espetáculo. (...) Conhecemos muito bem este estilo. Sonhamos com oportunidades para dizer às pessoas o que elas devem fazer — sem receber respostas atrevidas ou comportamento passivo-agressivo. Se você escolher este tipo de liderança, a primeira tarefa na sua lista de coisas a fazer é: arranje um exército maior. Dominar alguém significa sujeitá-lo a seu poder. Implica que um é o senhor e o outro, súdito. Este é um estilo muito eficaz de liderança — pergunte a Hitler ou Pol Pot.* O conceito de senhor implica poder absoluto sobre o outro. Você não precisa lidar com perguntas ou divergências. Basta reunir as pessoas e dizer-lhes o que fazer. Se discordarem, você as elimina. Este estilo de liderança era também comum nos dias de Jesus. Os romanos sabiam como dominar seus súditos. Essa é uma das razões de terem governado o mundo naquela época. As pessoas tendem a obedecer quando percorrem um caminho ladeado por seus parentes crucificados. Até hoje governos e organizações sabem como sujeitar os indivíduos a seu poder. Pouco mudou no coração dos homens desde que Jesus andou pela terra. Jesus sabia que domínio sem compaixão gera abuso. A Arrogância e o poder resultam em tirania. Jesus podia usar o título de Senhor em vista de quem era como filho de Deus e porque nenhum outro título descreveria sua relação com os que o seguiam”.

É preciso conversar com Jesus antes de tomarmos uma decisão a respeito de coisas tão sérias como estas. Certas pessoas, só porque tinham autoridade, queriam prender Jesus sem ouvi-lo. Bem que eles poderiam fazer isto e ainda passarem por bons diante do povo, porque eles sabiam que o povo não conhecia a lei. Mas um homem que tinha conversado com Jesus, lembrou-se que para condenar um homem é preciso basear-se numa lei (João 7:50,51) e não na autoridade despótica de alguns homens tiranos. Este estudo serve para aprimorarmos nossas relações de poder dentro da igreja, e assim termos uma comunhão mais plena. Fica livre para o julgamento, porque o espírito santo não impõem as coisas às pessoas, ele apenas lembra daquilo que esquecemos. Talvez, tenhamos nos esquecido que para excluir uma pessoa da igreja, é preciso ser levado em conta todo um procedimento criterioso estabelecido por Jesus.

Questionamentos:

1) Você já havia entendido estas passagens por esta perspectiva?

2) Você não se importa com as “brigas” de pastores que afetam a vida espiritual dos irmãos da igreja, principalmente aqueles que não tem nada a haver com o assunto?

3) O que você acha: é melhor que se resolva estas questões seguindo os métodos acima, ou que estas contendas se arrastem por anos, prejudicando o progresso da obra?

4) E a igreja não deve ser ouvida nestas questões de ofensa pessoal entre ministros, evitando que a maior quantidade possível de informações não seja usada para o julgamento, criando então uma possibilidade muito grande erros?

5) Se na multidão de conselheiros, a possibilidade de erros é menor, porque então um ou dois pastores disciplinam ou excluem outro? Não poderia um número muito restrito desses manipular pessoas e informações?

6) Você não ligaria para uma exclusão injusta?

7) O que Deus faz com aqueles servos (credores incompassivos) que sufocam seus conservos e não perdoam a pequena dívida que possuem? Não os colocam numa prisão até que se arrependam de tudo?

8) O que fazem os demais conservos (pastores sinceros) ao saberem que um mal servo (mal pastor) não perdoa outro conservo (bom pastor) e ainda exige perdão de outros?

9) O que você pensa: existem várias posições de poder na igreja ou apenas uma acima dos membros, que é o presbitério?

10) Quantas posições de poder Jesus criou na igreja?

11) Se você acha que é mais de uma posição, transformando a relação de poder numa hierarquia (Senhor e servo), onde estão as passagens bíblicas que mostram isto?

12) Jesus reestruturou o tabernáculo de Davi ou modificou-o criando uma hierarquia, onde uns são mais poderosos do que os outros?

13) Não está claro que Jesus não tinha autoridade para colocar os dois discípulos (Mateus 20:23) numa posição superior aos demais apóstolos?

14) Se Jesus não podia criar cargos acima do cargo de apóstolo, podem os homens?

15) O que você acha: se os homens podem criar cargos superiores ao de apóstolos, então, os papas não estariam com razão e com autoridade para excluir quem eles quisessem da igreja, tornando assim a Igreja de Deus desligada da linhagem?

16) Se fosse da vontade de Deus que os homens tivessem poder para criar cargos superiores na igreja, logo poderiam também criar cargos de pastoras para as mulheres?

17) O que você acha: Moisés concentrou ou distribuiu poder?

18) O que Jesus ensinou: que devíamos imitar ou fazer diferente do sistema de governo pagão (Mateus 20:23)? No caso, de imitarmos não implicaria ser igual a Roma? Se fosse assim, o papado não estaria melhor, porque obedeceu à regra?

19) Para Pedro, quem era o único Sumo Pastor? (1 Pedro 5:1-4).

20) O que você pensa um pastor que não recebe, não conversa, gosta de ficar em primazia na igreja e o pior de tudo não perdoa os irmãos, o que deve ser feito com ele? Para responder medite nas parábolas do servo incompassivo e do servo inútil (Mateus 18:23-35; Mateus 24:45-51).

21) O que você escolhe: a verdade ou a autoridade?

Edimir Brilhador